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Ferramentas da Qualidade – Gráfico de Pareto

2, novembro, 2013

O Diagrama de Pareto está intimamente ligado à folha de verificação, já que são necessárias coletas de dados para iniciarmos a construção desta ferramenta da qualidade.

Diagrama de Pareto é um gráfico de barras que ordena as frequências das ocorrências, da maior para a menor, permitindo a priorização dos problemas. Mostra ainda a curva de percentagens acumuladas.

Sua maior utilidade é a de permitir uma fácil visualização e identificação das causas ou problemas mais importantes, possibilitando a concentração de esforços sobre os mesmos. É utilizado para dados qualitativos.

O Diagrama de Pareto foi criado pelo economista italiano Vilfredo Pareto, que realizou estudos e desenvolveu modelos matemáticos para descrever a distribuição desigual das riquezas (distribuição da renda per capita).

 Através de gráficos, mostrou que a maior renda estava concentrada nas mãos de uma minoria da população. Ele chegou à conclusão de que 20% da população ficavam com 80% da arrecadação, enquanto para os outros 80% da população restavam apenas 20%. Essa assertiva ficou conhecida como Princípio de Pareto ou também como princípio 80-20.

 Através desta lei é possível afirmar que:

* 20% dos clientes são responsáveis por mais de 80% dos lucros de uma determinada empresa;

* Mais de 80% das descobertas no mundo científico resultam de 20% dos cientistas.
 

Claro que esta relação não é perfeitamente exata conforme acima, mas nos dá a ideia de concentração e priorização no ataque as causas dos problemas.

Os princípios de Pareto foram aplicados no Controle da Qualidade por Juran, que começou a observar que os defeitos nos produtos apresentavam frequências desiguais de ocorrência.

 Hoje, o gráfico e os conceitos de Pareto são elementos indispensáveis no campo da Gestão da Qualidade, priorizando ações, utilizado na identificação, análise e resolução de problemas vitais, minimizando custos operacionais e evitando fracassos.

 No Diagrama de Pareto sugiro sempre incluir os valores em porcentagem e o valor acumulado das ocorrências. Assim, torna-se possível avaliar o efeito acumulado dos itens pesquisados.

 Para o Diagrama ser aplicado, é importante seguir alguns passos básicos:

1-   Realize uma reunião com a equipe envolvida e determine o objetivo do diagrama, ou seja, que tipo de perda você quer investigar;

2-   Definir o aspecto do tipo de perda, ou seja, como os dados serão classificados, tempo de coleta (dia, semana, mês);

3-   Em uma tabela, ou folha de verificação, organizar os dados conforme definido na etapa anterior;

4-   Fazer os cálculos de frequência total e a porcentagem de cada item sobre o total e o acumulado;

5-   Ordenar os dados do maior para o menor, segundo a ocorrência de cada anomalia.

6-   Traçar o diagrama.

Gráfico de Pareto

 

 

 

 

 

 

 

 

Onde utilizar:

O Diagrama de Pareto pode ser utilizado para as mais variadas análises, independente do tipo de processo/serviço, tais como:

a) Despesas extraordinárias, acompanhamento de custos mensais;

b) Mão de obra (experiência, treinamento, faixa etária, etc.);

c) Percentual de produtos defeituosos/retrabalho, número de reclamações de clientes, número de devoluções de produtos;

d) Perdas de produção, gastos com reparos de produtos dentro do prazo de garantia, custos de manutenção de equipamentos;

e) Índices de atraso de entrega, índices de entrega em quantidade e local errados, falta de matéria-prima em estoque;

f) Índices de reclamações trabalhistas, índices de demissões, absenteísmo;

g) Número de acidentes de trabalho, índices de gravidade dos acidentes, número de acidentes sofridos por usuários do produto.

 Os gráficos de Pareto são úteis ao longo de todo o projeto: no início, para identificar o problema a ser estudado e mais tarde para delimitar as causas do problema a serem atacadas em primeiro lugar.

Como chamam a atenção de todos para aqueles “poucos e vitais” fatores importantes onde o retomo provavelmente será maior, os gráficos de Pareto podem ser usados para criar consenso em um grupo.

De modo geral, as equipes devem concentrar sua atenção primeiramente nos problemas maiores — aqueles correspondentes às barras mais altas.

Isto quer dizer que devem atacar os problemas maiores, porém não devemos nos esquecer das demais anomalias levantadas na coleta, pois teoricamente em uma próxima análise estes dados serão a nossa maior prioridade.

 VANTAGENS

• A análise de Pareto permite a visualização dos diversos elementos de um problema, ajudando a classificá-los e priorizá-los (Campos, 1992, p. 199);

• Permite a rápida visualização dos 80% mais representativos;

• Facilita o direcionamento de esforços;

• Pode ser usado indefinidamente, possibilitando a introdução de um processo de melhoria contínua na Organização;

• A consciência pelo “Princípio de Pareto” permite ao gerente conseguir ótimos resultados com poucas ações.

DESVANTAGENS

• Existe uma tendência em se deixar os “20% triviais” em segundo plano. Isso gera a possibilidade de Qualidade 80% e não 100%;

• Não é uma ferramenta de fácil aplicação: Você pode pensar que sabe, mas na hora de fazer pode mudar de opinião.

• Nem sempre a causa que provoca não conformidade, mas cujo custo de reparo seja pequeno, será aquela a ser priorizada.

 O gráfico de Pareto vem a complementar o uso das demais ferramentas já vistas e sempre deve ser usada em conjunto com estas e não isoladamente. Assim você atingirá um melhor resultado e com certeza estará direcionando os esforços das equipes na solução dos problemas.

Carlos A. Schlittler